Hora do almoço, vou à Livraria Cultura. Escolho meus livros e vou ao caixa, onde há um rapaz bem inserido nas normas dos jovens urbanos e informados (não cultos; informados) de hoje em dia: barbudinho, branquinho, magérrimo e, embora eu não as veja, decerto portando umas tantas tatuagens. Ele passa meus livros e me avisa que, em obediência a alguma dessas leis idiotas que a bonzinhice anda impondo, estão parando de fornecer sacolas plásticas – e tenta me vender uma eco bag de $ 2,50.

Recuso a eco bag, passo o meu cartão e, enquanto espero a nota, vejo que os outros caixas vão tranquilamente botando as compras dos demais clientes em grandes e tradicionais sacolas plásticas. Meu dileto vendedor também vê, e me diz:

— Bem, senhor, nós ainda temos sacolas plásticas à disposição; o senhor vai querer?

Quero, como não? Ele pega a menor de todas e submete meus pobres livros a uma situação de metrô às oito da manhã. Enquanto ele faz isso, pergunto:

— Quando vocês pararem de vez com as sacolas plásticas, vão nos dar o quê? Sacolas de papel, talvez?

Ele me olha como se eu fosse um pobre débil mental.

— É que, senhor, o papel também é antiecológico.

Numa livraria.

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