“Tudo de camarões sólidos, amarelos, cósmicos; inspiro as ventilações surdas, as varizes épicas, a toalha rente, a empada covarde. Mexiricas na pacuera.” Surrealismo é fácil; difícil é cortar as unhas dos pés.

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Eu sou um ítalo-luso-franco-brasileiro de ascendência semítico-germano-tupi. Sou o garoto cadinho de raças que o Roberto falou.

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“Votando em mim, eu vou estar em Brasília e vou estar, na realidade, fazendo o coisa da vida de nosso Brasil a nossa vida, o nosso momento, o nosso coisa que nós temos. Para deputado federal, Tiririca. Vote no abestado.” A semântica do Lula com a sintaxe do Dilmão: Tiririca, a síntese política nacional.

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O voto no Tiririca é como o voto num animal agonizante: está entre o protesto, a piedade e a desilusão.

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Eu achava que trollagem tinha a ver com sexo e falta de banho.

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É linda uma terra onde um assassino esquartejador tem um nome poético e sensível como Gilliard. Daqui a pouquinho vai ser a hora dos filhos dos hippies, gente com nome tipo Sol Hallellujah, sair incendiando berçários.

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Primeiro o ethos, depois o pathos, agora os chathos.

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Eu tenho um personal magro morando dentro do meu corpo.

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Sempre que vejo propaganda com mulher olhando laptop e sorrindo me pergunto se ela está no Youtube vendo uma girafa ser esquartejada.

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Martinho da Vila tem uma filosofia de vida, ora, ora. Mudou a filosofia, ou mudou o Martinho?

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“Bom diiiia, sêo Plínho”, diz a empregada abrindo as cortinas, sem notar o penico cheio de dialética amarela que voa em sua direção.

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