Dizer que um certo artista fulano é “um dos mais destacados no cenário da vídeoarte” é dar como certas pelo menos três coisas: 1) que existe um troço chamado vídeoarte; 2) que, em existindo, esse troço tem um, ahn, “cenário”; e 3) que alguém se destaque nesse cenário (o que é até possível).

Como sei que há um mundo externo à minha consciência – um mundo ignorável na maior parte do tempo, mas mundo -, estou pronto a admitir que exista um troço chamado “vídeoarte”, e que esse troço tenha cenários, e que neles haja gente que se destaque.

Eu só quero que se danem.

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No meu mundo interno, talvez o Haiti não existisse até a semana passada. Caetano Veloso existe, muito contra o meu gosto, e canta nalgum lugar da minha consciência que o Haiti é e não é aqui (Caetano Veloso, reparem, deixa sempre todas as portas abertas, não importa o quão puto ou indignado pareça). Isso era todo o meu Haiti: um verso vagabundo e sem sentido da MPB.

Agora, porém, o Haiti existe, e é na forma de horror. Horror ainda maior do que o que cotidianamente já é. Para quem, como eu, é viciado em palavras, o que há a dizer é o que li de alguém, que não lembro mais quem seja, no Twitter:

“O que é que Deus tem contra o Haiti?”

Eu também não sei.

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Hoje o mood é de Roberta Flack, se lhes agrada:

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