Até ontem eu não sabia quem era Kanye West; hoje sei que é um grosso. Continuo sabendo o que já sabia sobre Beyoncé: que é gostosa, e que aeróbica não combina com a arte de cantar. Não sabia quem era Lady Gaga, e agora sei que de gagá ela tem o seu tanto. Não sabia quem era Katy Perry, agora sei, e so what. Sabia mais ou menos quem era Pink, de quem agora conheço o lado acrobático – e acrobacias não combinam com a arte de cantar. Sabia quem era o Green Day, continuo sabendo, e so what. Não sabia quem era Taylor Swift – nome que, fora de contexto, eu acharia que é marca de apresuntado; agora sei, e so what. Não sabia quem era Jay Z (eu confundo essas letras todas, esses jays todos); quando o vi chegando de limusine e acenando para ninguém na rua, achei que era um doidão – eu tinha razão.

Isso é o que me ficou de um VMA tido e havido como acima da média.

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Uma vez vi rappers numa TV sem som e levei uns segundos para me tocar que não era um papo de surdos-mudos. Não entendo o gestual deles, o que querem dizer aqueles braços e ombros enfatizando versos como “eu sou fodão pra caralho”, ou “vai tomar no cu, sua piranha fudida, fica longe da minha grana”, ou “minha rola é grande e eu sou cheio dos ouro”, ou “pois é, o mundo era uma bosta antes de eu aparecer com todo esse talento da porra que só eu tenho, seus cu”.

Acho que envelhecer é isso.

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