Hora do almoço, vou à Livraria Cultura. Escolho meus livros e vou ao caixa, onde há um rapaz bem inserido nas normas dos jovens urbanos e informados (não cultos; informados) de hoje em dia: barbudinho, branquinho, magérrimo e, embora eu não as veja, decerto portando umas tantas tatuagens. Ele passa meus livros e me avisa que, em obediência a alguma dessas leis idiotas que a bonzinhice anda impondo, estão parando de fornecer sacolas plásticas – e tenta me vender uma eco bag de $ 2,50.
Recuso a eco bag, passo o meu cartão e, enquanto espero a nota, vejo que os outros caixas vão tranquilamente botando as compras dos demais clientes em grandes e tradicionais sacolas plásticas. Meu dileto vendedor também vê, e me diz:
— Bem, senhor, nós ainda temos sacolas plásticas à disposição; o senhor vai querer?
Quero, como não? Ele pega a menor de todas e submete meus pobres livros a uma situação de metrô às oito da manhã. Enquanto ele faz isso, pergunto:
— Quando vocês pararem de vez com as sacolas plásticas, vão nos dar o quê? Sacolas de papel, talvez?
Ele me olha como se eu fosse um pobre débil mental.
— É que, senhor, o papel também é antiecológico.
Numa livraria.

10 comentários
Feed de comentários deste artigo
6 dezembro 2011 às 9:26 pm
Nah
Na próxima talvez ele tente lhe vender um Kindle… (me-do)
13 dezembro 2011 às 4:37 pm
Orlando
Ora, ora, eis aí a melhor notícia do fim do ano: Nah de volta! Por essa, até compro um kindle!
18 dezembro 2011 às 8:42 am
Nah
Com ou sem kindle, Boas Festas, Orlando! Espero que este blog fique menos solitário em 2012 (saudades dos seus posts). Bjão!
30 dezembro 2011 às 8:13 am
Orlando
Eu queria ser mais assíduo, Ná, mas as facilidades do tuíter me absorvem. Em todo caso, melhor voltar, antes que eu perca de vez a capacidade de me expressar em mais de 140 caracteres.
30 dezembro 2011 às 9:28 am
Nah
Hahaha isso jamais aconteceria – mas que você já é um super hai-kai-man, isso é fato.
Bjs!
30 dezembro 2011 às 11:00 am
Orlando
29 dezembro 2011 às 7:59 am
Érico
Estamos mal, e logo começa o fim do mundo. Mas antes do fim do ano ainda há tempo para ouvi-La, e congracemo-nos sem medo nem esperança.
30 dezembro 2011 às 8:15 am
Orlando
E ela é mesmo muito digna de ser ouvida, Érico! Mas esse fim do mundo aí, olha, está me cheirando a, como diria Mark Twain, exagero.
10 janeiro 2012 às 7:53 pm
Andréa
Quando os livros forem vendidos por quilo e o preço da sacola estiver embutido não haverá mais questionamentos, como no setor de hortifruti de hipermercados onde as sacolinhas seriam banidas e ainda assim seria permirtido os saquinhos de venda de alimentos por quilo bem como as bandejinhas de isopor deste mesmo setor.
Andy
14 janeiro 2012 às 10:14 am
Orlando
Boa ideia, Andy, mas e no caso da gente comprar, sei lá, doze Bíblias para distribuir à família no Natal? O saquinho rasgaria…