Duas.
Uma foi que ontem, atendendo ao casamento de um velho amigo na condição de padrinho, me meti num traje a rigor. Alugado, naturalmente. Mas, como tinham o meu tamanho, e como fiz a barba, eu estava apresentável, quase reluzente. No metrô – não tenho carro, ó moçoilas casadoiras que me lêem – eu podia quase ouvir os pensamentos de desprezo. É da vida, é da minha vida.
Outra foi que a cerimônia de casamento foi oficiada segundo os ritos do que estou chamando de soul budismo. O oficiante, o sacerdote, seja lá o que for, era um simpático negrão metido também num tuxedo impecável. Impecável ainda pareceu sua leitura do japonês – acho que era japonês – do ritual. As dissonâncias me pareceram no lugar, idem as pancadinhas no mântrico caldeirão. Na trilha sonora de certos momentos-chave, Stevie Wonder, Tim Maia, Nat King Cole, Paula Lima, The Platters. Soul budismo, é ou não é?
* * *
Sim, o mundo gira, a lusitana roda, os anos roem. Eu esperava encontrar na cerimônia uma pletora de velhos amigos. Encontrei apenas um casal, Heraldo e Roseli, cujas aparências resistiram muito bem aos 13 anos que separavam nosso último encontro. Não assim duas moças com quem convivi assiduamente nos anos 80 (e que não entram na categoria de amigas). Elas devem ter se espantado comigo tanto quanto me espantei com elas: é como se todos fôssemos o Conde de Monte Cristo. Sem dinheiro, obviamente.

17 comments
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2 Junho 2008 às 2:39 pm
Sérgio Mendes, não o músico
Soul budismo. Was ist?
2 Junho 2008 às 11:41 pm
Orlando
Budismo envolto em soul music, Sérgio.
3 Junho 2008 às 9:41 am
José Américo de Melo
Música da alma, diria o Dalai.
5 Junho 2008 às 12:49 am
Orlando
Em plena comunhão com James Brown.
5 Junho 2008 às 12:42 pm
Donato
Você não viu que fundaram uma igreja para o John Coltrane? Está tudo explicado.
5 Junho 2008 às 8:23 pm
Breno
Shake’ya mony makah.
10 Junho 2008 às 11:07 am
Társis Salvatore
Japa negão é a globalização!
Não tem como. Imediatamente me lembrei do XOGUM DO BRONKS e o grande Jimmy Le Roy! hohohoho…
Abs!
T§
11 Junho 2008 às 6:59 pm
Pedro Dias
Muito bom!!!!
Tô até emocionado.
11 Junho 2008 às 11:07 pm
Roseli
Nossa!!!
(Perdão pessoas, mas esse comentário é pessoal)
Tenho que dizer que uma roupa festiva e um monte de maquilagem realmente fazem milagres. Me senti até emocionada…
Mas muito bom mesmo, nesse casamento Soul Budista, foi o envolvimento dos familiares na cerimônia, a felicidade que exalava dos noivos e o reencontro de almas afins que precisam tomar vergonha e não deixar passar mais 15 anos sem muitos encontros.
Beijos e até breve.
12 Junho 2008 às 8:06 pm
Yan Kaô
Negativo. Eu estive lá. Com o corpo quase morto, foi fácil desdobrar-me!
12 Junho 2008 às 9:49 pm
Orlando
Estás coberta de razão, Roseli, mas não disfarce com essa história de maquiagem e milagres: você está ótima!
SIm, Yan Kaô, tive um vislumbre do seu ectoplasma sobre meu décimo segundo chope.
13 Junho 2008 às 12:28 am
Heraldo Fehra
Cara, fiquei até emocionado!
Sabe, não estamos acostumados a que se lembrem de nós, quanto mais que façam elogios pelas costas. É muita alegria para um brasileiro quarentão . . .
Quer dizer que o velho Will esteve por lá? Bem que eu senti um cheiro de charuto aquela hora no banheiro.
Orlando, vou aproveitar para falar umas verdades também. Sabe, você estava exatamente da maneira como lembrávamos: extremamente educado, atencioso e inteligente. Foi muito agradável encontrá-lo e a Miriam e a Clau também! Precisamos criar mais momentos como aquele.
Um abração!
13 Junho 2008 às 2:50 am
Roseli
Orlando:
O bom com a chegada da idade é que vamos enxergando menos. (risos)
O Heraldo colocou óculos novos e eu disse pra ele nem olhar pro meu lado de óculos.
Este final de semana estaremos levemente ocupados com festa da Isadora, mas se vocês estiverem livres, semana que vem, poderíamos marcar alguma coisa.
Beijos em todos, especiais nas suas meninas.
Yan:
Sua ausência era uma presença gritante!
Nós até alucinamos que o Tata e o Hilário estava lá, então você provavelmente estaria também
Saudades de você.
Beijos
13 Junho 2008 às 1:29 pm
Yan Kaô
Éramos apaixonados pela Roseli. Todos nós. Mas o Heraldo era um baixinho tão estranho que imaginamos que ele nos mataria a todos só com os raios de seus olhos azuis, se ele descobrisse.
15 Junho 2008 às 10:52 am
Orlando
Heraldo e Roseli, vamos sim marcar alguma coisa para breve. Julho trará, se tudo correr bem, minha alforria universitária, quando haverá tempo, não de sobra, mas mais que agora – inclusive para o aikido, que eu não esqueci.
É verdade, Yan Kaô. Mas você agora, no Mossad, quase não tem o que temer.
18 Junho 2008 às 12:42 am
Heraldo Fehra
rsrsrs – é mesmo! O Yan sequer, tem tempo de falar com toda a prole! – rsrsr
Quano ao baixinho estanho, era a forma que eu havia adotado para o tempo não me afetar!
Depois eu vou postar uns links com ums exames de aikidô ok?
Abraços e até breve.
19 Junho 2008 às 6:38 pm
Yan Kaô
Mas Heraldo, o tempo não afetou-lhe em nada. O senhor de tão baixinho, escapou da mira da foice de Cronos. Quanto à minha prole, boto todos debaixo da capa e os levo ao cinema como um igual, comendo pipoca e borrando a boca de chocolate. Diet, claro.