Duas.

Uma foi que ontem, atendendo ao casamento de um velho amigo na condição de padrinho, me meti num traje a rigor. Alugado, naturalmente. Mas, como tinham o meu tamanho, e como fiz a barba, eu estava apresentável, quase reluzente. No metrô – não tenho carro, ó moçoilas casadoiras que me lêem – eu podia quase ouvir os pensamentos de desprezo. É da vida, é da minha vida.

Outra foi que a cerimônia de casamento foi oficiada segundo os ritos do que estou chamando de soul budismo. O oficiante, o sacerdote, seja lá o que for, era um simpático negrão metido também num tuxedo impecável. Impecável ainda pareceu sua leitura do japonês – acho que era japonês – do ritual. As dissonâncias me pareceram no lugar, idem as pancadinhas no mântrico caldeirão. Na trilha sonora de certos momentos-chave, Stevie Wonder, Tim Maia, Nat King Cole, Paula Lima, The Platters. Soul budismo, é ou não é?

* * *

Sim, o mundo gira, a lusitana roda, os anos roem. Eu esperava encontrar na cerimônia uma pletora de velhos amigos. Encontrei apenas um casal, Heraldo e Roseli, cujas aparências resistiram muito bem aos 13 anos que separavam nosso último encontro. Não assim duas moças com quem convivi assiduamente nos anos 80 (e que não entram na categoria de amigas). Elas devem ter se espantado comigo tanto quanto me espantei com elas: é como se todos fôssemos o Conde de Monte Cristo. Sem dinheiro, obviamente.