Em 1968, meu grande ato revolucionário foi tentar enfiar o dedão do meu pé esquerdo na boca.

Pode ser também que eu tenha atirado o meu chocalho em algum coronel. Pode ser, não garanto.

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No ponto de ônibus em frente à Faculdade de Filosofia da USP, um cartaz irado dos estudantes conclama Gabriel Cohn (que é, creio, diretor da FFLCH) a “tirar suas mãos de 68″ – ano que, dizem, não lhe pertence.

Eu sempre soube: 68 pertence a quem nasceu em 88.

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Uma confissão que é um resumo de toda a minha covardia.

Nunca tatuei o Popeye na minha barriga. Você talvez seja um(a) idiota por ter tatuado o Popeye na sua barriga, só que eu sou covarde: ao me omitir, ao me excluir, ao me manter longe do tiroteio e não tatuar o Popeye na minha barriga, não aprendi nada sobre a dor de ser um idiota com o Popeye tatuado na barriga.

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Contei à minha filha a história do palhaço com câncer na laringe que começa a matar crianças. É uma história muito boa, muito humana. Mas enfim: o caso é que, logo depois do primeiro assassinato, quando o palhaço canceroso atira um bebê no poço do elevador e, como álibi, dá o alarme, minha filha perguntou:

- E o que foi que a perícia disse?

É o mundo pós-Jatobá.