Em 1968, meu grande ato revolucionário foi tentar enfiar o dedão do meu pé esquerdo na boca.
Pode ser também que eu tenha atirado o meu chocalho em algum coronel. Pode ser, não garanto.
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No ponto de ônibus em frente à Faculdade de Filosofia da USP, um cartaz irado dos estudantes conclama Gabriel Cohn (que é, creio, diretor da FFLCH) a “tirar suas mãos de 68″ – ano que, dizem, não lhe pertence.
Eu sempre soube: 68 pertence a quem nasceu em 88.
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Uma confissão que é um resumo de toda a minha covardia.
Nunca tatuei o Popeye na minha barriga. Você talvez seja um(a) idiota por ter tatuado o Popeye na sua barriga, só que eu sou covarde: ao me omitir, ao me excluir, ao me manter longe do tiroteio e não tatuar o Popeye na minha barriga, não aprendi nada sobre a dor de ser um idiota com o Popeye tatuado na barriga.
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Contei à minha filha a história do palhaço com câncer na laringe que começa a matar crianças. É uma história muito boa, muito humana. Mas enfim: o caso é que, logo depois do primeiro assassinato, quando o palhaço canceroso atira um bebê no poço do elevador e, como álibi, dá o alarme, minha filha perguntou:
- E o que foi que a perícia disse?
É o mundo pós-Jatobá.

5 comments
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17 Maio 2008 às 7:14 pm
luis
Orlando,
Meus atos revolucionários estão em 77/78, quando estudante lá no Largo de São Francisco. Muita porrada do Erasmão, mas valeu cada borrachada. Afinal, o velho mestre Goffredo Telles que ontem fez 93 anos dizia: “O preciso sonhar sempre, aquele bom sonho que nos leva adiante…”
Quero morrer assim, sonhando.
Quanto à sua menina, bem, esta é uma geração super cartesiana…rs
abs
21 Maio 2008 às 9:35 am
Sérgio
E eu, do poço profundo da minha ignorância dourada, lhe pergunto: e quem tatuaria o Popeye na barriga? Além do desenho, conheço um açougue nas cercanias de casa que ostenta o nome do personagem. Até a promulgação da lei Kassab, havia ainda uma decadente placa com o marinheiro caolho, mas tão velha que, possivelmente tinha alguma marca de pedra dos distúrbios indígenas do 1968 local.
Ah, e para o nosso amigo Luís, aí em cima: não sei se você chegou a ver, mas, tem um tempo que a Rolha de São Paulo publicou uma entrevista com o Erasmo Dias. Sabe o que o filho da puta respondeu? Que faria tudo de novo. Por isso que eu falo…
26 Maio 2008 às 10:11 pm
Délia
Quem é saudosista é porque está ficando velho. Quem fica saudosista de 68 é aquele que, além de velho, se ilude com um passado “glorioso”, porque 68 foi um ano de convulsões que resultou em nada. Algo como sentir saudades daquela namoradinha adolescente: foi bom enquanto durou e que fique apenas as boas memórias.
O interessante é que os jovens evocam esse romantizado 68. Devem ser jovens que se consideram velhos e nunca namoraram. E se é para “tirar a mão de 68″, nada faz diferença, já que tiraria a mão do nada mesmo.
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Quem tatua Popeye na barriga deve gostar de espinafre.
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Não sei se é apenas Jatobá, acho que existem lá as influências de CSI: basta perguntar-lhe como ela imagina a sala da perícia. Caso a resposta seja ultra-tecnológica com mesas iluminadas, é CSI; se for uma sala mofada, de luzes fluorescentes piscantes/apagadas, é Jatobá (e Brêizil, de quebra).
29 Maio 2008 às 7:21 pm
luis
Sérgio,
Jamais perderia meu tempo com uma entrevista desse senhor…
Não vale o tempo e a tinta. Nem a paciência.
Imagine que esse senhor quis entrar na Velha Academia com a cavalaria da PM. O Diretor da Faculdade, Prof. Ruy Barbosa Nogueira, o impediu, sozinho e corajosamente postando-se frente das Arcadas, dizendo: “Aqui não entra, não. Este Território é sagrado.”….
Não se fazem mais homens como antigamente…
Délia,
Bobagem acreditar que 68 lá, e 77/78 aqui não resultaram em nada. A tirania no Brasil começou a cair na última década indicada.
E a democracia conquistada permite inclusive que vc desça à pua na moçada de então….
Abs
30 Maio 2008 às 6:01 pm
tarsischwald
AHAHAHAH…
Assim que parar de rir do palhaço eu escrevo mais… sensacional!
Chamem o Badan Palhares que deve morar em algum paraíso fiscal!
Um 68? Não me ufano, prefiro um 69.
Abs!
T§