Da série “conslusões a que só se chega depois de muito meditar”: sou uma lésbica invisível.

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O Apocalipse é muito bem organizado. O cronograma, aliás, foi adiantado.

Hoje eu estava esperando um farol abrir. Ao meu lado, um homem velho e mal vestido. Sotaque nordestino, e inesperados olhos azuis.

- Daqui cinco ano – disse ele, olhando para mim – vai discê um monte de gente lá de riba. Deus já avisô.

- Pois que sejam bem vindos – respondi sincero, atravessando a rua, farol já aberto.

- Deus já avisô! – gritou ele.

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As moças desde há algum tempo se depilam e aparam os pelos das pudendas. O que lamento: sou brazuca, índio véio, e chegado num matagal espesso. Cláudia Ohana, Vera Fischer, Carla Camuratti, oh, yeah.

Aparentemente, hoje em dia os homens fazem a mesma coisa: aparam o matinho, escanhoam – esporte radical, não acham? – os ovinhos. No meu tempo, a mera insinuação de coisas tais dava – eufemizemos – sério desentendimento. Hoje, consta, é item de fábrica.

Espero ser poupado da informação se (ou devo dizer “quando”?) os moços começarem a fazer bigodinho de Hitler. Não é tudo que o véio agüenta, não.