Nas imediações do Natal, uma loja da TIM é a coisa mais parecida que pode haver com o INPS. Ontem levamos, eu e o restante da família, um chá de cadeira de duas horas à espera de um “consultor” que nos atendesse. Madame Tosetto, boa gente mas de sangue facilmente ebuliente, logo fumegou; eu mesmo só suportei por causa dos grandes e caninos olhos da minha filha, louca por um aparelho que tem aquela quantidade de gadgets incompreensíveis para os que, como eu, acham que telefone é para falar – e olhe lá.
Esperar é ruim, mas a vida anda mais rápida – ou, como me disseram, minha capacidade de assimilação diminuiu. Daí eu não perceber, por exemplo, que entre o momento em que acordei e a hora do almoço se passaram quatro horas: em estase, percebi só uns quinze minutos, o lado A de um disco. No restante do tempo, eu estava em algum alfa, quem sabe congelado, quem sabe salinizado.
Desse jeito, morro amanhã. O que, como quer pelo menos uma pessoa, pode ser boa notícia.