O sítio Mercatornet diz em suas newsletters, sem modéstia, que é “grande leitura para quem acha que nossas vidas têm uma dimensão transcendente”. A página inicial também não faz por menos: ajuda a “navegar pelas complexidades modernas”. Eu gostei, e recomendo.

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Claro que transcendência é uma palavra complicada por si só. Há gente com crise de gases achando que tem visões ou sensações d’outros mundos. Há histéricos que se acham possuídos, e há espertalhões que vêem almas, passado, futuro e dinheiro.

Mas todo o bem que há no mundo é fruto ou de medo de castigo divino, ou de crença (insana?) de que nosso espírito, como a mecânica dos aviões, é melhorável. Acreditar em ordem social e punição para roubos e homicídios como um acordo razoável de mentes céticas em prol de vida mais fácil per tutti é coisa muito, muito moderna, e ainda não completamente implantada. E não inteiramente justificável: se não há céu nem inferno, se não há geena nem paraíso, se não há Nirvana nem seu contrário (que não sei qual é), e se não há a possibilidade de ir me emendando à medida que as eras passam, que me importa que a mula manque? Que crime pode, de fato, haver? A vida no geral se resume à sua capacidade de agir e reagir. Seríamos, essencialmente, amebas – com uma conversa às vezes mais interessante.

A se pensar.